Diário encontrado na Curva da Estrada
Diário encontrado na Curva da Estrada Registro 1 Nunca fui muito de escrever, mas depois do que aconteceu, sinto que preciso colocar tudo no papel. Talvez seja uma maneira de manter minha sanidade intacta — ou de deixar um aviso, para quem encontrar isso. Se é que alguém vai encontrar. Meu nome é Rafael Torres. Tenho 34 anos. Trabalho com manutenção de sistemas em indústrias e, por isso, viajo o tempo todo. Sempre preferi trajetos menores, estradas esquecidas, rotas alternativas que me poupassem do trânsito pesado. Era uma terça-feira quando resolvi cortar caminho pela Rodovia dos Cedros. Um trajeto antigo, esquecido por muitos. As árvores ladeavam o asfalto como uma procissão de sombras. A neblina era espessa, quase sólida. O rádio morreu, o celular também. Não havia mais mundo ali fora — só a estrada, a neblina, e eu. Eu a vi na curva. Uma casa grande, velha, torta de tão antiga. Todas as janelas abertas, as luzes acesas. No meio da chuva fina e da escuridão, ela pareci...