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Diário encontrado na Curva da Estrada

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  Diário encontrado na Curva da Estrada Registro 1 Nunca fui muito de escrever, mas depois do que aconteceu, sinto que preciso colocar tudo no papel. Talvez seja uma maneira de manter minha sanidade intacta — ou de deixar um aviso, para quem encontrar isso. Se é que alguém vai encontrar. Meu nome é Rafael Torres. Tenho 34 anos. Trabalho com manutenção de sistemas em indústrias e, por isso, viajo o tempo todo. Sempre preferi trajetos menores, estradas esquecidas, rotas alternativas que me poupassem do trânsito pesado. Era uma terça-feira quando resolvi cortar caminho pela Rodovia dos Cedros. Um trajeto antigo, esquecido por muitos. As árvores ladeavam o asfalto como uma procissão de sombras. A neblina era espessa, quase sólida. O rádio morreu, o celular também. Não havia mais mundo ali fora — só a estrada, a neblina, e eu. Eu a vi na curva. Uma casa grande, velha, torta de tão antiga. Todas as janelas abertas, as luzes acesas. No meio da chuva fina e da escuridão, ela pareci...

Onde Moram as Vozes

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  Sempre existiu uma casa esquecida no fim da Estrada do Cedro. Um casarão antigo, de dois andares, com janelas altas, persianas partidas e uma pintura verde que o tempo fez questão de apagar quase por completo. Muitos chamavam de “Casa Verde”, mas ninguém falava sobre ela com frequência — como se o nome fosse o suficiente, e tudo além disso fosse melhor deixar quieto. Estava ali antes de qualquer um lembrar, e provavelmente ainda estará quando todos tiverem esquecido. Eu sempre fui curioso. Inquieto. Um pouco teimoso, talvez. Ouvi histórias quando era criança — histórias mal contadas, feitas de silêncios e olhares evasivos — sobre gente que entrou ali e não saiu mais. Sobre luzes acesas em janelas sujas. Sobre vozes que se ouvem quando o vento para. Naquela tarde nublada de outubro, com o céu cor de ferro e o ar parado, alguma coisa me puxou até lá. Não por coragem, nem por desafio. Fui por um tipo de ausência... uma vontade sem nome. Como se parte de mim já estivesse lá den...

O Riso na Névoa

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  Sempre odiei palhaços. Nunca entendi como alguém poderia achá-los engraçados. Mas o que aconteceu naquela noite provou que meu medo sempre foi justificado. Era uma cidade pequena, rodeada por florestas densas e um clima sempre enevoado. Havia uma história local sobre um antigo circo que, décadas atrás, desapareceu sem deixar vestígios. Diziam que, em noites de névoa, se ouvia um riso distante ecoando pelas ruas desertas. Alguns moradores juravam ter visto figuras estranhas caminhando entre as árvores, mas ninguém nunca teve coragem de investigar de verdade. Eu trabalhava no turno da noite em uma loja de conveniência, localizada no limite da cidade. Era um trabalho solitário, especialmente depois da meia-noite, quando praticamente ninguém aparecia. As câmeras de segurança raramente captavam qualquer movimento além da névoa lá fora, dançando sob a luz fraca dos postes. Por volta das duas da manhã, um cliente entrou. Seu rosto estava escondido sob uma máscara de palhaço grot...